Traduzir não é errado. Traduzir ao pé da letra sim, é errado. Afinal, letra não tem pé nem cabeça. Fora o trocadilho, imagina o imenso trabalho que o cérebro teria em usar uma língua e depois uma outra?
Calma. Você já é falante de uma língua e tem a sua língua materna como base para aprendizado. Isso é muito bom! Caso você não falasse nenhuma língua, não conseguiria ler esse texto, compreender o que está escrito aqui ou entender o quê está sendo dito. Sempre teremos uma língua base de comparação, e ainda bem!
Vamos mais profundo: alguém que nasceu no Brasil, tem o português brasileiro como língua materna, começa a estudar o inglês como língua estrangeira . Depois de algum tempo, essa pessoa está fluente no idioma inglês.
Inicialmente precisou muito estabelecer acordos com a língua portuguesa, andar de mãos dadas, ou de bicicleta com rodinhas. Depois, vez por outra precisava de ajuda da língua materna. Aprendeu a aprender na lingua estudada.
Mais tarde, sentiu o desejo de aprender uma terceira língua: o espanhol. Só que agora algo estranho aconteceu: o inglês virou a língua referência.
Para muitas pessoas, a primeira língua estrangeira vira base para todas as outras línguas que poderão ser aprendidas no futuro. Logo, não há problemas em termos uma base comparativa.
Mas posso ficar traduzindo o tempo todo? A resposta é simples: não. Seria como ficar andando de bicicleta de rodinhas para sempre, sem independência. E perderia o "timing" de qualquer conversa.
Para conseguir essa independência foque em pequenos objetivos da língua. A fluência não virá no final de um curso. Seja fluente algo que você está estudando agora. Por exemplo, estudou sobre como se apresentar, pratique ao máximo até que não precise mais de ajuda, grave sua voz, grave um vídeo seu, e assim que tiver a oportunidade ponha em prática com alguém (gringo ou não).
O ditado em inglês diz: "Practise makes perfect". Conseguiu entender o sentido do ditado sem traduzir? Ótimo! Você está no caminho certo. Precisou traduzir? Ótimo também! Você também está no caminho certo, só que ainda precisa do mapa. Bons estudos!
Essa é uma questão recorrente e que faz parte do processo de aprendizado. Se você se faz essa pergunta ou já se fez essa questionamento, essa dica é para você.
Não basta apenas entender como uma língua funciona: compreender as particularidades dos tempos verbais, preposições, ter um bom vocabulário, e saber a ordem das palavras em uma frase. Existem tantas outras coisas que precisam ser aprendidas, tais como provérbios, expressões idiomáticas, e claro, conhecimentos culturais que são utilizados no dia a dia, etc. Como fazer para dar conta de tudo isso em uma outra língua? Se exponha ao máximo a língua através de músicas, séries, leituras, etc. Não subestime sua capacidade de absorver. Seu cérebro é muito mais capaz do que você pode imaginar.
É preciso automatizar o processo. Pense: como você aprendeu a andar de bicicleta, dirigir, ou enviar um e-mail? Você precisa hoje de concentração para cada etapa ao fazer uma dessas tarefas? Não. Por quê? Seguramente porque houve muita prática, seu cérebro já automatizou o processo. Pratique sempre que possível.
Falar uma outra língua requer muita prática de verdade. Leia em voz alta quando puder, escreva suas anotações em inglês, coloque seu celular em inglês, seu GPS em inglês, assista séries e filmes em inglês. Todas essas atitudes vão te ajudar a automatizar o processo.
Entenda: saber tudo que você sabe em português em inglês é um processo longo. Claro que com o ganho imenso de vocabulário através dos estudos, o expandir da língua acontece naturalmente, você será capaz de falar sobre qualquer tema. Dê mais do que tempo ao tempo, dê prática ao seu tempo.
Não menos importante, expanda um pouquinho mais de cada vez, seus conhecimentos em inglês. Conheça seu ritmo, respeite sua forma de aprendizado, volte quantas vezes forem necessárias em um tópico até que se sinta confortável com o tema.
Obviamente é mais prazeroso assistir um filme em inglês ou ler sobre o que gostamos, mas tente também algo novo. Afinal, não vamos falar em inglês apenas sobre o que nos dá prazer, mas sobre qualquer necessidade.
No exemplo acima há além de erros gramaticais na tradução, há um erro de semântica, ou seja, algo que não faz sentido. Quando traduzimos a palavra "horas" do português para o idioma inglês, devemos entender que: "horas" está relacionado a duração, quanto tempo alguma coisa vai levar para acontecer. Se dissermos "Ten hours - 10 hours" passamos a mensagem de que algo vai acontecer daqui a 10 horas. Mas se quisermos dizer que algo vai acontecer em um determinado horário, às 10 horas da noite, ou às 10 horas da manhã, então dizemos:
10 am (10 da manhã)
10 pm (10 da noite)
10 o'clock ( às 10 horas)
Pode parecer simples, mas um erro como este pode custar muito caro - uma passagem aérea, ou milhões de dólares. Certa vez, eu estava visitando um navio aportado na cidade de Niterói, RJ, onde um amigo americano era o capitão. Tive a oportunidade de observar um dos trabalhadores do navio, que era brasileiro, conversar com o capitão em inglês dizendo que um reparo que estava sendo feito ficaria pronto "in 10 hours". Por experiência, eu já me preparei para ajudar, pois sabia dessa transferência de semântica do idioma português para o idioma inglês. Percebi que ele quis dizer "às 10 horas".
O capitão, meu amigo, imediatamente mostrou sua indignação e surpresa com tamanho atraso para fazer um reparo. Eu pedi licença ao capitão, e perguntei se poderia ajudar com a tradução - porque acreditava que estava havendo um problema na escolha das palavras, e bingo! O trabalhador do navio queria dizer que o reparo estaria pronto "às 10 da noite". Ensinei a diferença ao trabalhador, expliquei ao capitão e o reparo foi feito no tempo certo e esperado.
Vale a pena aprender da seguinte forma: Como se fala isso em inglês? É como se eu fosse cozinhar na casa de alguém e perguntasse: "Como você quer que eu prepare essa receita?" Ao aprender um novo idioma, devemos respeitar a nova língua como uma nova amiga, um novo amigo. Vamos conhecer suas particularidades, e não vamos transportar as características da nossa língua para o inglês. Aprender um idioma novo, significa receber uma nova forma de comunicar.
Em inglês, para cada palavra existem em média quatro significados diferentes!
Em uma aula particular uma aluna me pergunta: "O quê significa "stand?". Bem, para evitar que apenas uma possibilidade fosse anexada a memória dessa palavra como somente uma possível tradução para o português, eu preferi mostrar quatro possibilidades:
Stand up x Sit down (Levantar x Sentar)
A bookstand (pode ser traduzido como uma livraria, ou como uma banca que vende livros em uma feira de livros
I can't stand eating noises (não suporto o som de mastigação)
What does it stand for? (Qual o significado disso? referente a uma sigla)
Qual a intenção? Evitar uma tradução, somente uma. Essa é a questão. Sabendo da característica da língua, e das necessidades de cada aula, podemos e devemos adequar o ensino.
Mas e se você está estudando sozinho? Procure o contexto. Dependendo do contexto, uma palavra pode ter um significado completamente diferente, como já visto acima. Veja as possibilidades e o que faz mais sentido. Se precisar use sim um tradutor online. Se for algo mais elaborado visite o site www.linguee.com.br . Neste site você verá como traduções juramentadas já foram oficialmente postadas e poderá comparar, de acordo com o contexto, as possíveis traduções.
Vamos para o outro lado da moeda. E se eu quiser traduzir do português para o inglês? Por exemplo, como dizer:
Eu não consigo. I can't.
Eu não posso. I can't.
E agora? Como eles vão entender exatamente o que eu quero dizer? Bem, já que neste caso há uma limitação, você pode explicar um pouco mais. Por exemplo:
Eu não consigo.
I can't do it now.
(Eu não consigo fazer isso agora.)
Eu não posso.
I can't. I'm not able to do it.
(Eu não posso. Eu não sou capaz de fazer isso.)
Há estudos que comprovam que a língua inglesa tem uma característica muito marcante em relação a outras. A língua inglesa tende a usar mais palavras para explicar algo que talvez seja mais explícito em uma outra língua. Para expressarmos bem uma mensagem dependemos de várias combinações entre verbos, partículas, preposições e objetos, por exemplo. Então, antes de traduzir, vamos tentar entender como melhor usarmos essas combinações. Acredite, é bem mais fácil do só traduzir, pois ao entender, você ficará independente, e poderá usar os mesmos tipos de estruturas em outras situações.
Bons estudos!