O que é TDAH?
TDAH: Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade erroneamente chamado de “TDH” algumas vezes, conhecido em inglês como ADHD Attention Deficit Hyperactivity Disorder. Essa nomenclatura já mudou muitas vezes ao longo dos anos.
Atualmente sabemos que esse transtorno não é resultado de nenhuma lesão no cérebro. Mas é um problema de Saúde Mental que pode gerar problemas Emocionais e Sociais. Pode se manifestar com três características marcantes, sintomas, que podem vir juntos ou separados: hiperatividade, desatenção, e impulsividade.
A hiperatividade pode ser notada pelo aumento da atividade motora. Enquanto crianças, não conseguem ficar quietas em sala de aula, precisam gastar muita energia todo o tempo. Quando adultas, não conseguem assistir um filme. Mas espere aí! Hoje em dia com a avalanche de vídeos curtos que temos, com os milhões de estímulos que temos para fazer tudo de forma rápida, é esperado que todos nós já de alguma forma estejamos esperando que os vídeos sejam rápidos. Porém, não ser capaz de absorver conteúdo por não ter a capacidade de manter-se quieto é uma outra coisa. No entanto, não é tão simples assim chegar a um diagnóstico de TDAH. Infelizmente hoje em dia em muitos consultórios médicos vemos crianças sendo diagnosticadas em menos de quinze (15) minutos de consulta sem considerar muitas vertentes. Há de ser considerado o ambiente que a criança está vivendo, o momento, a alimentação, a rotina do sono, e outros - sem falar a equipe multidisciplinar deve fazer parte dessa observação por cerca de no mínimo seis (06) meses para que um bom diagnóstico seja fechado. Um momento de estresse alto pode ser confundido com muitos transtornos. Vamos com calma.
A Impulsividade pode ser notada até mesmo nos melhores alunos quando não conseguem esperar que a pergunta seja totalmente elaborada e já dão uma resposta - que muitas vezes está equivocada simplesmente por não ter aguardado até o final da pergunta. A impulsividade é uma das possibilidades desse transtorno. Ela pode vir juntamente com as outras duas características, com somente uma, ou sozinha. Mas não é algo esporádico. Sabe aquela pessoa que sempre te interrompe em uma conversa? Ela não tem a intenção de ser rude, ou mal educada, mas não consegue controlar seus impulsos. E, geralmente fica mais ansiosa por sabe que não falar naquele momento irá fazer com que ela não consiga do que queria perguntar posteriormente (a outra característica do TDAH, a perda de foco também denominada como desatenção). A impulsividade também é “vista” na leitura. Para a pessoa que tem esse transtorno, ler é uma tarefa muito mais complicada. As linhas se misturam, porque o foco é perdido. As palavras se tornam uma “sopa de letrinhas”. Felizmente há hoje em dia gratuitamente uma fonte especial sans-serif (sem serifa), pois oferecem um visual limpo, simples e com menos poluição visual. Se você acha que é uma pessoa com esse transtorno, experimente fazer uma leitura de um texto nesta fonte.
A impulsividade também se manifesta nos momentos onde há um conflito, uma discussão. A pessoa com TDAH tem grande dificuldade em segurar seus impulsos quando algo ou alguém a incomoda ou a agride de alguma forma. Controlar os impulsos requer um esforço muito maior do que a grande maioria das pessoas, e exige muito esforço e treinamento.
E a Perda de Foco? Liga o computador para estudar, enquanto o computador liga, começa a ver vídeos no celular, dá sede e vai até a cozinha pegar água, percebe que poderia fazer um café e põe água para ferver. Por fim, não estudou no computador, não viu vídeos no celular, não bebeu água, e não bebeu o café porque a água secou e só percebeu a perda de foco quando quase colocou fogo na casa (risos). Uma característica marcante da pessoa com TDAH é se perder em seus pensamentos. Está ouvindo algo de alguém e quando menos espera, já está lembrando de uma outra história ou fazendo um planejamento para uma viagem. Um professor está explicando algo e lhe vem a cabeça algo totalmente sem relação a primeira explicação, porque na verdade ela não conseguiu se ater as palavras do professor. Inicia um curso e não termina. Começa uma faculdade e para. A única coisa que não termina, é o cansaço exaustivo de tentar não parar.
Como resolver isso? Tem jeito? Há dados que mostram que de 60 a 80% das crianças diagnosticadas com TDAH continuam com o transtorno na fase adulta. O quanto antes o diagnóstico chegar, mais eficaz será o tratamento. Para chegar a um diagnóstico é necessário identificar comportamentos que estejam presentes em mais de um contexto, como escola, trabalho, familiar, com comprometimentos importantes. Nota-se que 80% das pessoas diagnosticadas com esse transtorno apresentam os três (03) sintomas: impulsividade, hiperatividade, e perda de foco – com o predomínio de um ou mais sintomas. Percebemos que não é algo simples, logo o tratamento é possível, mas somente através de um profissional da medicina que receitará estimulantes ou antidepressivos. No entanto, outras práticas não medicamentosas também são eficazes. O uso de alarmes no celular para manter o foco em algo que deve ser feito é uma ótima estratégia, bem como ruídos encontrados no youtube (ruído marrom, ruído branco). Para pessoas que perdem o foco muito facilmente, é preciso estar ciente de suas capacidades e dificuldades e estarem preparadas para o momento de estudo: tirar de perto tudo que tire o foco, desativar notificações, tirar o som do celular e escrever. Escrever é uma ótima fonte para ajudar na concentração. Temos cinco (05) sentidos básicos: audição, olfato, visão, tato, e paladar. Quanto mais sentidos usamos, mais internalizamos algo. Sabe aquele momento que alguém nos mostra uma foto? Nunca queremos ver na mão da pessoa. Queremos “ver” na nossa própria mão, queremos segurar a foto ou o celular com a foto. Porquê? Por que desta forma temos dois (02) sentidos: visão e tato. Interagimos mais, internalizamos mais, há menos distração.
Quando existe algum quadro do comorbidade associada ao transtorno de TDAH é aconselhável um encaminhamento a psicoterapia individual.
Algo muito importante é que os familiares e os que estão ao redor da pessoa que tem TDAH saibam do transtorno. Não é fácil lidar com tantos impulsos e não conseguir geri-los, tantas perdas de oportunidades e aprendizados por não conseguir prender seus próprios pensamentos a si mesmo, e muito menos gastar tanta energia física na hiperatividade descontrolada do dia a dia sendo uma rotina não escolhida.
Professor Alexandre Barros Vieira
Especialista em Neuropsicopedagogia